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AFROSINFÔNICA

ORQUESTRA AFROSINFÔNICA

Sob a regência do maestro Ubiratan Marques, a Orquestra Afrosinfônica emerge como uma das mais originais e potentes expressões da música brasileira contemporânea. Um território de encontros, memórias e reinvenções, onde a ancestralidade africana dialoga com a linguagem sinfônica para produzir uma sonoridade singular, profundamente enraizada na história e na diversidade cultural do Brasil.

Formada por 23 músicos e estruturada por piano, percussão, sopros, contrabaixos e um marcante naipe de vozes femininas, a Afrosinfônica traduz em música os fluxos culturais da diáspora africana, transformando pesquisa, identidade e criação artística em experiência estética. O conceito “afrosinfônico”, formulado por Ubiratan Marques, não se limita a uma proposta musical: constitui uma visão de mundo que reconhece a centralidade das matrizes africanas na formação da cultura brasileira e as projeta em novas possibilidades de expressão.

Cada concerto da Orquestra é um mergulho em camadas profundas da memória coletiva. Sons ancestrais, ritmos sagrados, cantos tradicionais e harmonias contemporâneas se encontram para construir paisagens sonoras que evocam pertencimento, resistência e futuro. A música de matriz africana, fundamento indispensável da identidade musical brasileira, não aparece como referência periférica, mas como eixo estruturante de uma narrativa que celebra a riqueza de nossas origens.

Criada em novembro de 2009, a Orquestra Afrosinfônica nasceu do desejo de estabelecer pontes entre diferentes expressões culturais brasileiras, especialmente aquelas moldadas pela oralidade, pela resistência e pela permanência histórica dos povos africanos e originários. Desde então, consolidou-se como um espaço de investigação artística permanente, onde tradição e inovação caminham juntas, ampliando repertórios e ressignificando heranças culturais.

Um dos elementos mais emblemáticos dessa construção estética é o naipe de vozes femininas, inspirado nos terreiros de candomblé e no vasto cancioneiro popular brasileiro. Sua criação resultou de uma extensa pesquisa sobre cânticos preservados em idiomas como iorubá, mucubal, quimbundo e quicongo, entre outras línguas africanas que atravessaram o Atlântico e permanecem vivas na memória e na espiritualidade do povo brasileiro. Essas vozes, carregadas de ancestralidade e força simbólica, estabelecem uma ponte entre passado e presente, ecoando saberes que resistem ao tempo.

Como destaca o maestro Ubiratan Marques, foi necessário um profundo processo de investigação para sintetizar a musicalidade afro que deu origem a grande parte da música baiana e conectá-la à instrumentação orquestral. O resultado é uma obra multifacetada, capaz de reunir erudição e tradição, sofisticação e pertencimento, em uma experiência artística que traduz a complexidade e a beleza da brasilidade.

Ao longo de sua trajetória, a Orquestra Afrosinfônica tornou-se referência na valorização e projeção das culturas afro-brasileiras. Sua música não apenas reverencia a ancestralidade, mas a transforma em movimento, criação e futuro. Em cada apresentação, a orquestra reafirma que a memória é um instrumento vivo e que a arte pode ser, simultaneamente, celebração, consciência e transformação. Assim, a Afrosinfônica segue ampliando horizontes, fazendo da música um espaço de encontro entre herança e invenção, entre raízes profundas e possibilidades infinitas.

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